CÂNCER E LINFEDEMA
Marina da Silva
De conselhos úteis:
*Se você quer saber cientificamente o que é linfedema pergunte aos médicos ou visite sites confiáveis. INDICO:
http://www.oncoguia.com.br/ site completo. É o melhor para pesquisas.
http.www.inana.com.br/ site classificado como muito bom pelos internautas e por mim também!
www.fundacaolacorosa.com / outro excelente site, tem até banco de perucas!
www.inca.gov.br/ site do governo, linguagem científica e complicada para leigos. É voltado mais para estudantes, professores, cientistas, médicos.
*Jamais, nunca, never busque imagens no Google... porque tem! Assustadoras, algumas bizarras e de todos os rincões do planeta! Confie em mim e saiba que NEM todos os casos estão ligados ao câncer, algumas imagens são de casos de filariose ou elefantíase.
Feitas estas considerações de transcendental importância... Para a sanidade mental do nosso cabeção sigamos em frente.
Somente paciente, homens ou mulheres que fizeram ou farão retirada dos gânglios linfáticos (ou linfonodos) é que correm o risco do inchaço ou linfedema. Após instalação e se não tratado desde o início, o edema se torna crônico e a pessoa perde a jóia mais importante da Coroa, isto é da vida: a invisibilidade!
Terminado o tratamento da doença o mundo só saberá que você teve câncer se você contar! Mas se ocorrer o linfedema... As pessoas olham, comentam, perguntam, tem dó, medo e até nojo. Um verdadeiro “pé no saco”...
Então...
Se você se encaixa no quadro de risco de desenvolver o linfedema, o médico lhe encaminhará para a fisioterapia. Aprenda os exercícios de drenagem linfática, aprenda, caso necessário enfaixar, calçar luvas ou meias de compressão especiais, enfim aprenda usar seu aparato anti-linfedema! Estabeleça seus limites para as atividades (o fisioterapeuta lhe dará informações e dicas) e se for possível voltar ao mesmo posto de trabalho, há a etapa de readaptação. Trabalhador (a) autônomo e/ou do lar deverão elaborar rotina de atividades.
EU E O LINFEDEMA
Julho/2002. Fui encaminhada a terapia 15 dias após a cirurgia (retirada de drenos e pontos) com um leve edema (normal após cirurgias) que regrediu nas primeiras semanas de fisioterapia. Decorei todos os exercícios de drenagem linfática e respiratórios (já contei que parei de respirar no dia que recebi o diagnostico?). No início meu marido e filha me ajudavam com os exercícios, pois estava fraca, cabeça ruim, tive flebite no braço direito e sentia muitas dores! Comprei meu aparato anti-linfedema (luva especial, faixas de compressão para a mama, braço, faixas comuns). Tudo caríssimo! Nem o SUS ou planos privados fornecem este material.

Meu aparato anti-linfedema: em casa uso tudo que tenho direito, no trabalho não uso a luva de compressão.
De julho/02 a Abril/03 vivi com as orelhas de pé e fiz tudo religiosamente e com ajuda dos meus escudeiros!
Após licença médica de 11 meses... Contei que pirei o kbeção, quase morri de medo, entrei em deprê profunda, tive crises de pânico, quase matei a família? rsrssrsrs.Voltei ao trabalho após perícia médica e readaptação no mesmo local de trabalho, mas em outra atividade (mais didática, como higienista dental, atendendo crianças). Fugi de tudo que era material odontológico contaminado, exercícios repetitivos, evitando o máximo carregar peso. Na primeira semana de trabalho sumi com a luva de compressão: odiei as perguntas indiscretas, a cara de dó ou insinuações ofensivas (tudo me ofendia) e assumi o compromisso da invisibilidade correndo literalmente de qualquer coisa que levasse ao linfedema! Fiquei noiada!
Neste perrengue tive que lidar com dois terrores: medo de morrer e medo do linfedema! Sobrevivi nos primeiros meses aos trancos e barrancos com a ajuda de fisioterapeuta, psicoterapia (fui para nos psiquiatra/psicanalista), com tarjas pretas anti-depressivos e ansiolíticos. Meu lema era (não ria): “cabeça vazia oficina do diabo” e contra o pemba... TRABALHO!
Para não “pensar” o jeito era me ocupar em casa e no trabalho. Nesta fase ganhei o apelido de “burrita” de Dra Hilda, a fisioterapeuta, porque abusava, morria de dores, enchia a cara nos analgésicos, nas drenagens linfáticas em casa e na fisioterapia! Nunca fuxiquei (artesanato) e faxinei tanto na minha vida! Virei dona NEURA!
É assim que ficam minhas mãos após um dia de trabalho, mas ainda tem o trabalho em casa! As veias quase pulam de tão cheias e aí tenho que parar e fazer drenagens e massagens. Atualmente parei com analgésicos e só uso arnica para os exercícios de drenagem.
Ocupar o kbeção doi pra cara...mba! Um dia, mais para baixo que a sola de sapato, mais insignificante que cocô do cavalo do bandido, acatei (como ordem médica) escrever meus sentimentos! Melhor conselho que recebi na vida, obrigado Dr. Gabriel de Almeida Silva Jr., Te Amo!

10% das vendas do livro, parte que me cabe, é doado ao PA-Pronto Atendimento do Hospital das Clinícas/UFMG.
Virou livro, foi publicado, salvou minha cabeça e meu braço, recebi alta da fisioterapia; escrevi um livro para o psicanalista, virei iscrivinhadora, e nunca mais parei! Resolvi continuar com as sessões de fisioterapia porque as metástases psicológicas (medo de morrer)... é uma disgreta* total federal! Voltei para facul, fiz duas especializações em: saúde mental e trabalho e Direito material e Processual do Trabalho. Vivi aceleradamente até início de 2008, correndo risco de edema no braço e fazendo mil e uma coisa, um verdadeiro Bombril e tudo para não pensar em recidiva, isto é, medo da doença voltar nos 5 anos de hormônioterapia! Burra e doida!
Bão, a prosa tá boa, mas meu braço está pingando de dor e este é o sinal: PARE IMEDIATAMENTE! Depois escrevendo mais. Xau. Bjin. Marina.
PS: GOSTOU DO BLOG??? ENTÃO VÁ LÁ NO SELINHO AZUL DO TOP BLOG 2011 E VOTE NO BLOG PARA A SEGUNDA ETAPA DO CONCURSO! BRIGADINHA. DEUS LHE PAGUE!
Foto tirada em 2006 quando voltei a usar esmaltes jogar cores na minha vida. Passei longo período usando branco ou preto retrato fiel de como via o meu mundo e futuro. É preciso ter projetos e sonhar, disse-me Drª Hilda e entendi que era para pensar em longo prazo e não que iria morrer a qualquer segundo!





1 comentários:
É Marina, vc é uma guerreira mesmo, fez da sua luta um ponto de partida para ajudar outras pessoas. Eu também,apesar de não retirar a mama, retirei linfonodo, então me cuido, mas aprendi muitas coisas com seu post. Quando meu braço começa doer é hora de parar né. Se Deus quiser tb vou me readaptar, sala de aula não dá mais. Fica com Deus e boa semana! Bjsssssss
Postar um comentário