CÂNCER DE MAMA: IMAGEM CORPORAL.
Hilda Angélica Iturriaga Jimenez
http://www.elainesassoon.com /"O livro The Boudica Within (A Boudica Interna, em português) traz imagens de 23 mulheres com idade entre 20 e 80 anos que sofreram cirurgia plástica de reconstrução dos seios. Na foto acima, a paciente Mel. Mãe de dois filhos, ela fez a cirurgia há um ano e conta que ficou mais confiante depois da reconstruçãoA cirurgiã plástica britânica Elaine Sassoon entrou em contato com 90 de suas pacientes para organizar o livro. No total, 23 delas concordaram em ser fotografadas."
Imagem corporal após procedimento cirúrgico da mama é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas mulheres que foram submetidas a qualquer procedimento cirúrgico por causa de um “caroço” na mama; voltar a considerar a mama como parte de seu corpo. A mama passa a ser uma entidade separada dela, mas também ocupa todo o imaginário. A mama acaba sendo considerada como que, ela era amada ou admirada por apenas suas mamas. Não ouve o que o companheiro fala em relação ao carinho que sente por ela. Ela interpreta como que as palavras são para diminuir a perda e são falsas.
Os primeiros dias é lógico que a área seja manipulada com muito cuidado, mas a medida que os dias decorrem deve insistir em aproveitar a ducha e ensaboar com delicadeza, mas com consciência que está sobre a mama em questão. Logo após, massagens suaves e delicadas com creme umectante devem acompanhar a rotina de preparo para vestir.
Quando você aprende a manipular a cicatriz para evitar aderências a planos profundos da pele percebe que o procedimento cirúrgico tinha um objetivo: a vida
Mas adiante com a inclusão dos movimentos do ombro frente ao espelho deverá aproveitar para adquirir uma postura elegante, evitando esconder o peito. Caso seja necessário o uso de prótese [estas] serão um complemento adequado pela falta da mama. Já vestida ninguém notará ausência dela.
Essa é a parte externa do problema; você inicia a aceitação de sua nova imagem corporal quando em forma inconsciente durante o sono já deita sobre esse lado. Olha-se ao espelho e não esquiva as miradas do parceiro. Inclusive já aceita o relacionamento sexual. Acaba interiorizando que você não é apenas uma mama.
Para ilustrar quão difícil é esta fase devo contar um caso ocorrido entre essas mulheres. Certa vez chegou uma dama acompanhada do marido, ela havia sido submetida a mastectomia havia mais de dois anos. Não consegui examinar, até que eu pedi ao marido sair da sala. Ela não se havia tocado a área desde a cirurgia. Passava sabão e secava rapidamente durante a higiene. Como era necessário saber como estava a cicatriz eu fui apalpando-a. Peguei a mão dela para que me acompanhasse na manipulação. Ali ela iniciou um choro profundo e confesso que ela não havia tocado na área porque não conseguia fazê-lo. Aos poucos fomos integrando a área, primeiro ficando de bruços balançando o corpo. Mobilizamos todo o corpo agregando música para dar mais harmonia ao corpo. O que ela tanto escondia já havia observado pelo marido e ele não se importava, ele foi importante na recuperação da confiança de sua parceira. Agora ela participa ativamente nas aulas de imagem corporal do Hospital das Clínicas de Belo Horizonte. Outra mulher confessa que nunca toca na área que só ensaboa com bucha, não sei dizer se ela se olha no espelho, mas externamente tem uma atitude corporal de esconder o peito, sempre de cabeça baixa e sorriso superficial.
A mente humana é tão especial que não podemos comparar; tem pacientes que mesmo com reconstituição da mama elas sentem que a parte reconstituída não e da mesma textura especialmente quando existe transposição de músculo apesar de que aceitam que não ouve perda de volume.
Adquirir a nova imagem leva tempo, mas também esforço de integrar o corpo como ele é no momento e não como foi.
Gostaria que toda pessoa que tem alteração da imagem corporal por um procedimento cirúrgico iniciasse atividades que são próprias para estimular a percepção do corpo como um todo e durante a manipulação da área pensar:
http://www.elainesassoon.com /"Fotos do livro The Boudica Within"
"MESMO QUE MINHA MAMA (está diferente ou XXXXXX) ME ACEITO, ME GOSTO, ME AMO COMPLETAMENTE".
http://www.elainesassoon.com /"Fotos do livro The Boudica Within"
"MESMO QUE MINHA MAMA (está diferente ou XXXXXX) ME ACEITO, ME GOSTO, ME AMO COMPLETAMENTE".
Hilda Angélica Iturriaga Jimenez
Mestre em reabilitação pela Queen’s University Canadá. Coordenadora: Assistência em grupo de pacientes mastectomizadas. Hospital das Clínicas UFMG.











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